Metodologia

O desenvolvimento deste projeto envolve duas etapas distintas: 1ª) a seleção de textos sobre a Antiguidade Tardia, visando contextualizar a época e selecionar temas que atendam a uma lista de tópicos considerados importantes para compreensão do período; 2ª) envolver os alunos no processo de transformação do texto para meio eletrônico, e estimular a leitura e compreensão dos mesmos através da produção de resenhas.

Na primeira etapa, algumas condições básicas foram definidas para a escolha e admissão dos textos: a) ater-se ao contexto espaço-temporal definido (Antiguidade Tardia); b) estar em português, e ser de certo modo acessível bibliograficamente; c) atender os requisitos que permitam sua reprodução (e não ultrapassar determinado percentual do texto total); d) diversificar no processo de escolha, e buscar apresentações sucintas e não exaustivas; e) salvo em casos complementares, como Bizâncio, China, Índia, etc., os textos seriam organizados em eixos temáticos.

Definidos os eixos temáticos, os textos foram escolhidos e organizados segundo os grupos aos quais pertencem; no entanto, os mesmos eixos temáticos foram deixados em aberto para permitir a flexibilidade na inserção de novos textos.

No seguir, os textos escolhidos são convertidos para um arquivo eletrônico por meio do sistema OCR, em formato “.doc” ou “.rtf”. Este processo sempre demanda algumas correções na matriz do texto convertido, posto que os leitores óticos (scanner) apresentam ocasionalmente certa dificuldade em reconhecer grafias ou sinais específicos. Assim sendo, a correção dos mesmos foi definida como atribuição da equipe, tendo duplo objetivo; habituar-se ao processo de conversão de textos para meio eletrônico, e o aprendizado na leitura e avaliação crítica destes.

A apresentação dos resultados se dá, portanto, na construção de uma resenha crítica sobre um determinado artigo e sua subseqüente apresentação para o grupo. Cada componente do grupo recebeu uma tarefa (conjunto de textos) para corrigir, analisar e resenhar. Coube a coordenação do grupo definir as linhas de direcionamento dos eixos, mas os alunos puderam escolher livremente os textos com os quais iam trabalhar. Interesses específicos sobre uma ou outra área determinada foram estimulados, como modo de aprofundar a pesquisa. Os alunos têm ainda o direito de apontar textos que julguem interessantes de serem publicados, cabendo ao grupo avaliar sua pertinência.

A utilização da ferramenta blogger de publicação de textos na internet (disponível emhttp://www.blogger.com/) cumpre ainda dois requisitos deste projeto: gratuidade na utilização (com o espaço de dados disponível perfeitamente compatível com as necessidades da página) e facilidade na inserção dos textos. O endereço eletrônico, mesmo estando atrelado ao site original (http://antiguidadetardia.blogspot.com/) dispensa a aquisição de endereço próprio, e é de fácil divulgação.

Para formação do grupo de pesquisa, um requisito determinado foi o do participante ter ou estar cursando a disciplina de História Medieval, estando em contato com a problemática. O conjunto de leituras passadas em sala de aula serve de alicerce para o desempenho do exercício crítico em relação aos textos do projeto, quesito necessário à formulação de uma resenha consciente e embasada.


Considerações metodológicas
A concepção do Projeto está calcada numa difusão rápida, porém consistente, de informações históricas academicamente válidas. O problema fundamental ligado à promoção de informações na Rede (internet) baseia-se na sua validade científica. Usualmente, textos divulgados na rede podem vir de pesquisadores iniciantes e/ou não qualificados, cujos dados são superficiais ou atendem a outro tipo de interesse que não o da pesquisa teórico-metodológica historiográfica. A divulgação de uma pesquisa científica devidamente séria deve cumprir alguns requisitos básicos (como apresentação de metodologia, teoria, bibliografia, etc.), normalmente ignorados nas fontes mais comuns. A Rede promove hoje um paradoxo fundamental em relação à informação: a facilidade da divulgação confunde-se como uma inevitável (e talvez imprevisível) perda de qualidade e sentido. Deste modo, um conjunto de regras válidas como instrumento para definição das produções científicas deve ser empregado aqui, de modo a permitir o prolongamento da pesquisa por parte dos interessados.

Como afirmou Roger Chartier, “Assim, quanto à ordem dos discursos, o mundo eletrônico provoca uma tríplice ruptura: propõe uma nova técnica de difusão escrita, incita uma nova relação com os outros, impõe-lhes uma nova forma de inscrição. A originalidade e a importância da revolução digital apóiam-se no fato de obrigar o leitor contemporâneo a abandonar todas as heran­ças que o plasmaram, já que o mundo eletrônico não mais utiliza a imprensa. Ignora o "livro unitá­rio" e está alheio à materialidade do códex. Ê ao mesmo tempo uma revolução da modalidade téc­nica da produção do escrito, uma revolução da percepção das entidades textuais e uma revolução das estruturas e formas mais fundamentais dos supor­tes da cultura escrita. Daí a razão do desassossego dos leitores, que devem transformar seus hábitos e percepções, e a dificuldade para entender uma mu­tação que lança um profundo desafio a todas as ca­tegorias que costumamos manejar para descrever o mundo dos livros e a cultura escrita. Essa revolução modifica, ainda, o que se pode­ria chamar a ordem das razões, se com isso enten­dermos as modalidades das argumentações e os critérios ou recursos que o leitor pode mobilizar para aceitá-las ou rechaçá-las. Por um lado, a tex­tualidade eletrônica permite desenvolver as argu­mentações e demonstrações segundo uma lógica que já não é necessariamente linear nem dedutiva, tal como dá a entender a inscrição de um texto so­bre uma página, mas que pode ser aberta, clara e racional graças à multiplicação dos vínculos hiper­textuais. Por outro, e como conseqüência, o leitor pode comprovar a validade de qualquer demons­tração consultando pessoalmente os textos (mas também as imagens, as palavras gravadas ou com­posições musicais) que são o objeto da análise se, evidentemente, estiverem acessíveis numa forma digitalizada. Tal possibilidade modifica profunda­mente as técnicas clássicas da prova (notas de ro­dapé, menções, referências), que pressupunham a confiança do leitor no autor, não podendo aquele colocar-se no lugar deste diante dos documentos analisados e utilizados. Nesse sentido, a revolução da textualidade digital constitui também uma mu­tação epistemológica que transforma as modalida­des de construção e crédito dos discursos do saber”. (Roger Chartier, “Línguas e Leituras no Mundo Digital” in Os Desafios da Escrita. São Paulo: Unesp, 2004, p. 24-5).

Dito isto, consideramos que a proposta de divulgar um período histórico pouco conhecido através de textos devidamente selecionados, por meio eletrônico, se insere numa realidade existente acerca dos meios de divulgação e informação modernos. Como indicamos no início, a realização do Projeto atende o duplo propósito de formar (alunos) e informar (pesquisadores, ou mesmo curiosos) de modo sério e consciente, valendo pois de uma metodologia adequada a estes princípios e metas.